O Consumo de Água em Torres de Resfriamento Evaporativas

Por décadas, a torres de resfriamento evaporativa de circuito aberto tem sido a solução padrão da indústria para a rejeição de grandes cargas térmicas. Sua eficácia baseia-se em um princípio físico robusto: a transferência de calor latente. É um método altamente eficiente em termos de capacidade de resfriamento.

No entanto, essa eficiência térmica é indissociável de um alto consumo de água. Em um cenário de crescente pressão por sustentabilidade e controle de custos operacionais, o volume de água demandado
por esta tecnologia exige uma análise cuidadosa.

O alto consumo de água não é um defeito, mas sim uma característica inerente ao processo. Este consumo se manifesta em dois mecanismos principais: a evaporação e a purga.

Evaporação: O Princípio Físico de Resfriamento

A principal contribuição do resfriamento se dá pela evaporação de parte da água que recircula na torre, na qual ocorre a transferência de massa da fase líquida (água) para gasosa (ar), causando a redução da temperatura da água que escoa ao longo da torres. Isso ocorre porque a água, para evaporar, precisa de calor latente, que é retirado da própria água que escoa pela torres. (Cortinovis, G.; Song, T.).

Este processo remove o calor do sistema, mas a água que se evapora deve ser continuamente reposta.

A perda de água por evaporação é diretamente proporcional à carga térmica (calor) rejeitada pelo sistema. O cálculo é feito com base na energia (calor) necessária para evaporar a água.

Purga: A Necessidade de Controle dos Parâmetros da Água

A água evapora, mas os sais e minerais dissolvidos (sólidos totais dissolvidos – TDS) permanecem e se concentram no reservatório. Se essa concentração atingir níveis críticos, pode causar incrustação, corrosão e danos severos ao sistema.

Para evitar isso, é obrigatória a purga: a drenagem periódica de parte da água concentrada, que é substituída por água de reposição limpa.

O quanto se deve drenar dependerá da qualidade da água de reposição e dos parâmetros recomendados para operação da torre, o que definirá o Ciclo de Concentração.

Outras Perdas e Custos

Além das necessidades de reposição de água apresentadas acima, há também a perda por arraste, que está relacionada ao projeto do “recheio” da torre e do ventilador. Quando não são bem dimensionados, com vazão de ar muito alta, podem causar arraste de gotículas de água não evaporadas, que resulta em queda do rendimento da torre (não ocorre a troca térmica) e desperdício de água.

Deve ser dada atenção também ao controle microbiológico de uma torre, que pode ser uma fonte de criação e propagação de microrganismos como a Legionella pneumophila, por exemplo.

Por fim, como todo equipamento de troca térmica, deve possuir um plano de manutenção periódica para garantir a integridade e efetividade da superfície de troca térmica.

Conclusão

A figura abaixo apresenta um resumo do que foi apresentado até aqui, com alguns valores de referência.

Vale destacar que o consumo de água NÃO é um defeito do equipamento e sim parte inerente do seu processo de resfriamento. Já o consumo excessivo pode ser um indicador de que algo não está correto com o equipamento.

Em breve postaremos alternativas para redução do consumo de água no processo de resfriamento de água.


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